A Alegria da Salvação
Ao iniciar sua primeira epístola, o apóstolo Pedro deixa registrado uma profunda alegria pela salvação proporcionada pelo Senhor Jesus Cristo através do Seu sacrifício na cruz do calvário.
“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos,
Para uma herança incorruptível, incontaminável, e que não se pode murchar, guardada nos céus para vós,
Que mediante a fé estais guardados na virtude de Deus para a salvação, já prestes para se revelar no último tempo.” (1 Pe 1:3-5)
Com toda certeza, nada é mais importante para o cristão do que, quando do retorno de Cristo à esta terra ou quando morrer, estar para sempre com Ele no céu.
Embora vivamos num mundo tomado pelo materialismo e cada vez mais vermos a própria Igreja “importando” as filosofias humanas para seus ensinos, a certeza de um dia estar morando com Jesus Cristo no céu é que deve nortear nosso relacionamento com o mesmo.
E infelizmente, muitos líderes evangélicos abraçaram o materialismo via teologia da prosperidade, positivismo e outras vãs filosofias, adaptando-as a mensagem bíblica de forma totalmente equivocada e que faz tirar o foco das pessoas naquilo que realmente importa.
Os crentes estão cada vez mais acompanhando o curso do mundo: obsecados em ganhos materiais e preocupados somente com si mesmo.
A oração foi substituída pelas inúmeras campanhas e correntes de tudo quanto é tipo. O poder genuíno de Deus, pela água do Rio Jordão, terra de Israel, anel da sorte, rosa ungida etc.
Um verdadeiro show sensacionalista e sempre voltado para o “recebimento de alguma graça”, cada vez mais parecido com as tantas religiões que existem por aí.
Lógico que vivemos no mundo e como seres humanos temos nossas necessidades aqui nesta terra e não é errado almejar uma melhora de vida para nós e nossa família.
Mas o que estamos vendo em muitas Igrejas é de assustar, pois o foco está sendo totalmente desviado, fazendo com que tenhamos uma geração de crentes materialistas, voltados para si mesmos e totalmente sem conhecimento real da Palavra de Deus.
São mensagens ufanistas e fora daquilo que diz o evangelho deixado por Cristo e o ensino deixado pelos apóstolos na Igreja neotestamentária.
As palavras do apóstolo Pedro precisam urgentemente voltar a ecoar dentro da Igreja de Cristo!
Isso é o que realmente importa, pois o maior milagre e alegria que um homem pode experimentar aqui nesta terra é a salvação eterna em Cristo Jesus.
O Exemplo de Esdras
Diversos homens de Deus do passado deixaram valorosos exemplos para todos aqueles que servem ao Senhor em qualquer lugar e tempo.
Homens como o profeta Jeremias, o Rei Davi, Noé, Samuel e tantos outros que tiveram atos magnifícos registrados na Bíblia Sagrada.
O capítulo 9 do livro de Esdras também é mostrado um grande exemplo de como deve-se portar um verdadeiro homem de Deus diante de situações difícieis.
Esdras foi o homem que estendeu a sua mão para liderar o segundo grupo de retorno de israelitas que retornaram de Babilónia em 457 a.C.
“Ora, depois destas coisas, no reinado de Artaxerxes, rei da Pérsia, Esdras, filho de Seraías, filho de Azarias, filho de Hilquias (…)
(…) subiu de Babilônia. E ele era escriba hábil na lei de Moisés, que o Senhor Deus de Israel tinha dado; e segundo a mão de Senhor seu Deus, que estava sobre ele, o rei lhe deu tudo quanto lhe pedira.
Também subiram a Jerusalém alguns dos filhos de Israel, dos sacerdotes, dos levitas, dos cantores, dos porteiros e dos netinins, no sétimo ano do rei Artaxerxes.
No quinto mês Esdras chegou a Jerusalém, no sétimo ano deste rei.
Pois no primeiro dia do primeiro mês ele partiu de Babilônia e no primeiro dia do quinto mês chegou a Jerusalém, graças à mão benéfica do seu Deus sobre ele.
Porque Esdras tinha preparado o seu coração para buscar e cumprir a lei do Senhor, e para ensinar em Israel os seus estatutos e as suas ordenanças.” (Esdras 7:1,5 -10)
Logo depois, ao chegar em Jerusalém e recolocar em ordem a Casa do Senhor, teve uma triste notícia.
“Ora, logo que essas coisas foram terminadas, vieram ter comigo os príncipes, dizendo: O povo de Israel, e os sacerdotes, e os levitas, não se têm separado dos povos destas terras, das abominações dos cananeus, dos heteus, dos perizeus, dos jebuseus, dos amonitas, dos moabitas, dos epípcios e dos amorreus;
pois tomaram das suas filhas para si e para seus filhos; de maneira que a raça santa se tem misturado com os povos de outras terras; e até os oficiais e magistrados foram os primeiros nesta transgressão.” (Esdras 9:1, 2)
No que assim reagiu: “Ouvindo eu isto, rasguei a minha túnica e o meu manto, e arranquei os cabelos da minha cabeça e da minha barba, e me sentei atônito.
Então se ajuntaram a mim todos os que tremiam das palavras do Deus de Israel por causa da transgressão dos do cativeiro; porém eu permaneci sentado atônito até a oblação da tarde.
A hora da oblação da tarde levantei-me da minha humilhação, e com a túnica e o manto rasgados, pus-me de joelhos, estendi as mãos ao Senhor meu Deus,
e disse: Ó meu Deus! Estou confuso e envergonhado, para levantar o meu rosto a ti, meu Deus; porque as nossas iniqüidades se multiplicaram sobre a nossa cabeça, e a nossa culpa tem crescido até o céu.
Desde os dias de nossos pais até o dia de hoje temos estado em grande culpa, e por causa das nossas iniqüidades fomos entregues, nós, os nossos reis e os nossos sacerdotes, na mão dos reis das terras, à espada, ao cativeiro, à rapina e à confusão do rosto, como hoje se vê.” (9:3-7)
Que tremenda postura que Esdras teve diante daquela triste situação!
Ele não culpou ninguém e ainda se colocou na brecha pelo seu povo em situação de total humildade perante ao Senhor Deus.
Esdras preferiu admitir os erros cometidos pelo povo e teve dignidade em admiti-los diante do Todo Poderoso.
Esdras não culpou o “inimigo” pelo que o povo estava passando e sim, reconheceu a culpa por terem cometido grandes erros diante de Deus.
Hoje a coisa está totalmente inversa.
Vemos uma triste e enorme distância dos líderes do povo de Deus do passado para várias lideranças que tem surgido dentro da Igreja.
Isso é uma infeliz constatação e aumenta a cada dia que passa.
Vemos homens prejudicando a imagem da Igreja perante à sociedade com atos absurdos e reprováveis e ao invés de assumirem seus erros preferem sempre culpar o “inimigo” e dizer que tudo é perseguição.
Com certeza está faltando mais Esdras no nosso meio.
Mais homens que possuam a humildade, diginidade e caráter diante de Deus para enfrentar os próprios problemas e buscar uma restauração verdadeira da parte do Senhor.
Homens que ao invés de sempre tentarem culpar os outros, olhem para dentro de si e reconheçam que quando erram, precisam é buscar o perdão vindo do Senhor.
Que Deus levante muitos Esdras em nosso meio, para que verdadeiramente a Igreja seja composta de pessoas que não só preguem e sim pratiquem a mensagem bíblica.
É hora da Igreja despertar e ter atitudes como a de Esdras, pois só assim poderemos de fato ser curados plenamente e manisfestar Cristo ao mundo.

